segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Ainda que chore,
ainda que clame por piedade,
nada me restitui a paz.
Como cheguei aqui?
Como me deixei chegar aqui?

Tudo se desliga à minha passagem.
Procuro um significado,
um sentido para o que vivo,
e não encontro nada.
Nem uma memória,
nem uma razão.

Ainda aqui estou, 
parada na dor que me prende
e se ramifica em todos os lugares,
em todos os pontos do meu ser.

Não gosto de me ver assim, 
por isso saio de mim
e finjo que sou
o que fui e o que serei.

Sexta e sábado foram dias de dores fortes. Dormi de forma irregular o que só piorou o quadro. A dor na coxa e perna direita só abrandam se mudar frequentemente de posição. Hoje estou sentada a escrever e ela começa a manifestar-se. Pode ser postural. Lembro-me que ela começou há uns anos atrás, na altura em que corrigi provas de exame. Andei todo o verão a sentir dor e ela foi aparecendo desde aí em situações de maior tensão. Será que a tensão psíquica também desencadeia a dor? Vou ficar atenta. 
Ontem passei o dia com os meus pais. O meu pai propôs um passeio e eu pedi-lhe para conduzir o meu carro. Apesar de ele ser um exímio condutor, a tensão nervosa de não ir ao volante provocou-me dores de cabeça e dores musculares ao nível do pescoço e ombros. Tenho o defeito de "conduzir", mesmo quando é outra pessoa a fazê-lo. Isso faz com que antecipe manobras e travagens e as verbalize por não conseguir conter-me. A minha sorte é que o meu pai é uma pessoa muito paciente!

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